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quarta-feira, 1 de junho de 2011

• O que me falta é coragem.

Preciso tomar decisões, tirar o pé do chão, preciso mesmo mudar tudo, fazer todos os meus sonhos acontecerem. Não posso mais ficar parado, e deixar o tempo passar, a final, a vida é só uma, a chance é única, não vou ser tão tolo a ponto de desperdiça-la.

• Tudo começa com minha resistência a abrir os olhos.

[...] Minhas pálpebras fechadas eram como telas contendo cenas de um sonho. Eu não queria acordar, porque acordar me desligaria daquilo que eu mais queria, e me traria de volta para a realidade medíocre. Não posso generalizar. Minha realidade só é ruim quando já não me vejo em você. Acho que tenho medo de lidar comigo mesmo, não gosto daquilo que sou, ou melhor, o que me tornei. Minhas escolhas me encaminharam para o que me tornei e sou hoje. Não apenas as certas, mas principalmente as erradas. E cada escolha errada devorou um pedaço da minha personalidade que eu não queria perder. Eu não sou apenas escolhas minhas, sou as escolhas de pessoas que entraram na minha vida também, porque eu precisei mudar por elas. E essa foi uma escolha minha: Mudar. Mas nem sempre fui assim. Eu já fui muito pior. Não conseguia lidar com minha individualidade. Eu não queria me dividir. Na verdade, eu nem gostava de escrever. Escrevia coisas babacas que ninguém entendia, coisas assim nada muito brilhante, mas era como conversar comigo mesmo, e começar a me entender. As pessoas bagunçam minha vida com suas opiniões e tentativas de me moldar à suas necessidades. Meu Eu de verdade nunca foi bom o bastante, e com o tempo percebi que ele foi se alterando para atender as necessidades alheias. Descobri, que não sei quem sou porque não sou apenas eu. Complicado, não é? Mas a explicação é a seguinte: Eu possuo partes de cada pessoa que entrou na minha vida. Então sou como um quebra-cabeça, em que cada peça pertence a alguém... Pois quando você ama alguém não importa se essa pessoa te ama ou não, se ela te quer ou não. Você continua a amando, mesmo sofrendo.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

• A gente se acotuma



                      Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
   A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.
   A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
   A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.
   A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto. 
   A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 
   A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 
   A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto. 
  A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.
   A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
    A gente se acostuma para poupar a vida.
   Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.  

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida"

• Um dia você aprende que ...

"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. (...)"

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